terça-feira, 17 de abril de 2012

Autodidata e Sonho

QUEM SOU EU

Autodidata

Intrépido e vário
Mistura de ranhuras e tons
Dúvida

E sonho de ação, apaixonamento
Tesão.

Lutas, berimbaus que viram armas
Fitas vermelhas, palha
Oriente.

Sabedoria que não cala,
Mas que não responde.

Nunca acalanto
nunca.

E apesar de saber ser eu mesmo
O único abrigo,
Sou meu único inimigo.


*
26/01/2012

E sonho com mestre cabeludo e barbudo, longos pêlos brancos de paciência e sabedoria (mistura de Pai Mei com Ueshiba, baixinho, roupas escuras, kimono, gordinho). Me ensinou a lutar contra vampiros. A varrer relíquias secretas com pincéis velhos. A saber ser mais um eu menos egóico, mais simples, menos simplista. E lutei contra vampiros, e me mantive atento, mesmo dormindo. Começou a ensinar-me a ser menos medo, um pouco mais de desprendimento e ação. E, sempre sempre, a ajudar os outros. Sem querer nada em troca. Nada. Ainda que possa morrer, ainda que tenha então que enfrentar o que mais temo – vampiros/eu mesmo, ainda que tenha que me machucar muito, ainda que não tenha mais ninguém – mais ninguém, apesar da namorada, dos amigos, do papai e da vovó, essa é batalha minha. Não posso ser ajudado, a não ser por aquele que me ajuda a ficar mais forte e mais nu, pêlos brancos de paciência e sabedoria. Justo aquele - que torna tudo mais difícil, por não apresentar solução alguma. Por não apontar a nada que não seja mim mesmo, solução alguma. Não há. Há sentir. Há viver. Há agir. Há ajudar sem ser ajudado. Aprender compaixão. Aceitar sofrimentos com sorrisos. Igualar dor e prazer, alegria e agonia. E não depender de nada. Mas nunca, nunca se esquecer dos outros - da ajuda.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

06 de Outubro de 2011

Nasce uma criança
em meu peito,
conforme me passam os anos,
conforme me consomem os dias.
Mas conforme me envolvo 
nas coisas que amo,
nasce uma criança
em meu peito.

Nasce uma criança em cada canto
de sorriso, de vento,
de dança,
nasce uma criança.

Eu, ainda bem 
que nem tão adulto,
posso dizer que
no dia em que nasceu,
nasci contigo.
Nascemos,
crescemos, 
fazemos amigos.

E por mais
que muitas velas 
de muitos bolos
se apaguem,
estaremos sempre aprendendo
a cantar mais,
a dançar mais,
a sorrir mais,
abraçar mais.

E chorar,
e cair,
e a ser abraçado.

Hoje nascem crianças
em meu peito,
que se chamam João,
que se chamam Pedro,
e Patuá.

E hoje nasce mais uma,
menina amiga,
Mariah.


sexta-feira, 23 de setembro de 2011

22/09/2011




JEREMY (Ament/Vedder)

At home
Drawing pictures
Of mountain tops
With him on top
Lemon yellow sun
Arms raised in a V
The dead lay in pools 
of maroon below


Daddy didn't give attention

To the fact that mommy didn't care
King Jeremy the wicked
Ruled his world

Jeremy spoke in class today
Jeremy spoke in class today

Clearly I remember
Pickin' on the boy
Seemed a harmless little fuck
Oh, but we unleashed a lion
Gnashed his teeth
And bit the recess lady's breast
How could I forget
He hit me with a surprise left
My jaw left hurtin
Oh, dropped wide open
Just like the day
Like the day I heard

Daddy didn't give affection
And the boy was something mommy wouldn't wear
King Jeremy the wicked
Ruled his world

Jeremy spoke in class today
Jeremy spoke in class today
Jeremy spoke in class today

Try to forget this... (try to forget this)
Try to erase this... (try to erase this)
From the blackboard

Jeremy spoke in class today
Jeremy spoke in class today




quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Sem atos (01/06/2011)

O homem se satisfaz sem atos
só sentimentos.
Para na vida ser mais do que eu
que tão pouco sou.
Minha carcaça se arrasta,
se coça, se despedaça
hoje sem mais delongas
num porvir frenético e sem medo,
sem zelos, sem zeros.
Hoje eu sou quem nunca fui
mas quem sou antes do que nunca
que sempre quis.
E sei que não sou sozinho.
Sou uma roda que gira e grita
no fim do mundo.
Meu mundo,
nenhuma rima
-tampouco solução.
Pagaram as luzes do tempo.
E eu cá estou, sem fôlego
mas escrevendo,
sem tinta
mas colorindo
a imensidão.
Meu quarto nunca
pareceu tão distante,
e o som de minhas teclas
batendo
uma sinfonia inteira só pra mim.
Eu que sei o quanto
isso é bom
e ruim.
Sou um segredo.
Eu tenho medo.
Devia ter chorado
enquanto todos me olhavam.
Devia ter gritado
quando todos mais choravam.
Mas não me arrependo.
Escrevo.
Enalteço um verso
que me diz mais do que quero ouvir.
Antes que o vinho acabe,
ainda sozinho,
sorrio antes de dormir.