segunda-feira, 28 de outubro de 2013

o pranto entoado
no quarto ao lado,

a pergunta que se repete
em meio à suspiros,
nariz escorrendo,
desespero,

os cochichos de explicações

me lembram
meus términos,
minhas quebras,
minhas suturas.

causar hemorragia
em quem se gosta
é a coisa mais difícil
do mundo.



(achado nos arquivos do blog, sei lá de quando. mas ironicamente, se faz absurdamente atual hoje.)

domingo, 27 de outubro de 2013

信愛永慕

お前に心から伝えたいe. e. cummingsの言葉。
英語頑張ってね。


We do not believe in ourselves until someone reveals that deep inside us something is valuable, worth listening to, worthy of our trust, sacred to our touch. Once we believe in ourselves we can risk curiosity, wonder, spontaneous delight or any experience that reveals the human spirit.

*

Love is a place
& through this place of
love move
(with brightness of peace)
all places

yes is a world
& in this world of yes live
(skillfully curled)
all worlds

*

For whatever we lose (like a you or a me),
It's always our self we find in the sea.

*

it may not always be so; and i say
that if your lips, which i have loved, should touch
another's, and your dear strong fingers clutch
his heart, as mine in time not far away;
if on another's face your sweet hair lay
in such a silence as i know, or such
great writhing words as, uttering overmuch,
stand helplessly before the spirit at bay;
if this should be, i say if this should be-
you of my heart, send me a little word;
that i may go unto him, and take his hands,
saying, Accept all happiness from me.
Then shall i turn my face, and hear one bird
sing terribly afar in the lost lands.



(e.e. cummings作詞)

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Como se volta para as antigas roupas?
Que corpo é este que as veste agora?
Que pele as toca?
Que suor as umedece?

Lágrimas me acompanham, sempre.
Sou eu também quem chora?

Como voltar,
se é que há volta?

Como ser
inteiro
a pele que veste
as roupas de agora?



航海する海は涙で作る
koukaisuru umi wa namida de tsukuru

De lágrimas faço
o mar pra navegar
Tenho andado muito nos sons. E isso é muito bom
- se não me esquecer das palavras.
A gente se esquece de existir?
Às vezes.
Existir não é fácil - esquecer é.
Mas eu tenho que escrever, eu preciso escrever.
Escrever para ficar sozinho. Ou até não, escrever para encontrar outros e outras. Não sei.
De qualquer forma, escrever para saber
- melhor nem pior -
existir.

25 anos

Caralho, eu tenho 25 anos.
E já sei observar a vida como quem passa.
25 anos de minha mocidade, que ora eu me orgulho, ora me pergunto se já finda.
Caralho, eu tenho 25 anos.
Quando não tinha barbas na cara (hoje inda insisto em tê-las), quando precisava de alguém para me cortar as unhas dos pés, quando nem sabia o que era ser gordo ou magro, quando não sabia escrever, quando inda cagava nas calças (não que isso hoje não aconteça), quando então comecei a ter medo dos outros, me lembro de quando passei a desejar mais brinquedos, quando aprendi a ver filmes com legenda, quando chorava se via animais sofrendo, quando acordava cedo e saía correndo do quarto pra ver se minha mãe já tinha ido embora, quando ainda acreditava em tudo o que minha avó me dizia, quando passava as férias com meu pai, quando acampei a primeira vez, quando quis aprender a jogar bola e não consegui, quando tive minha primeira decepção amorosa, quando comecei a ter aulas de bateria, quando usava um boné de basquete virado pra trás, quando furei a orelha a primeira vez, quando comecei a andar de skate, quando fiz o bigode a primeira vez, quando fazia capoeira na escola, quando minha mãe ficou doente, quando eu dizia pra todo mundo que estava tudo bem, quando eu ouvia música até dormir, quando eu acordei e minha mãe não estava mais lá, quando minha avó brigou comigo porque eu quis ouvir música, quando eu fui morar com meu pai, quando eu quase bati em várias pessoas porque xingaram minha mãe, quando comecei a treinar artes marciais, quando comecei a ler sobre budismo, quando tomei meus primeiros porres, quando trancei o cabelo a primeira vez, quando dei meu primeiro beijo, quando comecei a curtir jazz, quando comecei a curtir Lenine, quando comprei um livro de poesia pela primeira vez, quando escrevi meus primeiros poemas, quando fiz parte da Roda Literária, quando conheci o maracatu, quando conheci o Hermann Hesse, quando sonhei em ser andarilho, quando fiz meu cajado, quando viajei as primeiras vezes só com os amigos, quando passei o primeiro reveyon só com os amigos, quando fiquei mais independente, quando comecei a fazer pulseiras, quando conheci a Monja Coen e comecei a frequentar um templo budista, quando me formei no colégio, quando entrei na PUC, quando eu sentia vergonha por ser virgem, quando perdi um grande amigo, quando bebia sozinho, quando saí da PUC, quando tive aulas de piano, quando voltei a ter aulas de bateria, quando comecei a treinar Aikido, quando dei a volta na Ilha Grande, quando perdi a virgindade, quando entrei pro cursinho, quando saí do cursinho (e tive uma das maiores brigas com meu pai), quando comecei a trabalhar, quando escolhi voltar pro cursinho, quando trabalhei na Livraria da Vila, quando meu pai foi pro navio, quando eu morei sozinho, quando eu escolhi sair da Livraria da Vila, quando trabalhei na Ânima, quando passei na Unesp, quando saí de São Paulo e fui pra Assis com meu amigo, quando conheci minha primeira namorada, quando comecei a tocar Taiko, quando comecei a estudar japonês, quando entrei na Oficina de Ritmos, quando morei sozinho de novo, quando conheci o Thiago de Mello, quando fui morar com minha namorada, quando vim pro Japão, quando fui a primeira vez num templo no Japão, quando comecei a ficar independente no Japão, quando fiz 25 anos.
Caralho, eu tenho 25 anos.

E já sei observar a vida como quem passa.

(Escrito em outubro de 2012)