Quero te dizer também
que nós, as criaturas humanas, vivemos muito (ou deixamos de viver) em função
das imaginações geradas pelo nosso medo. Imaginamos consequências, censuras,
sofrimentos que talvez não venham nunca e assim fugimos ao que é mais vital,
mais profundo, mais vivo. A verdade, meu querido, é que a vida, o mundo
dobra-se sempre às nossas decisões. Não nos esqueçamos das cicatrizes feitas pela
morte. Nossa plenitude, eis o que importa. Elaboremos em nós as forças que nos
farão plenos e verdadeiros.
Lygia Fagundes Telles
em As Meninas