POEMA SOB ENCOMENDA
para o ano novo que se abre
Auspícios se fazem
bons
quando do pensamento
correto brotam.
Silêncio.
O ano que se abre
só é novo
e genuinamente
aberto
se eu me fizer
nele novo também.
Li uma vez que
não há caminho novo,
mas sim um
novo caminhar.
Silêncio.
Antes da virada:
faxina, adentrar os
porões de minha casa
e os porões do
coração-mente: faxina
e silêncio
observar o lixo jogado
fora
sem apegos nem
aversões.
Depois da virada:
faxina, adentrar os
porões de minha
casa e os porões
do coração-mente:
faxina em silêncio,
observar o lixo jogado
fora sem apegos nem
aversões.
Sorriso.
Se conseguirmos tirar
a raiva de nossa força,
conseguiremos reunir e
devidamente descartar
mesmo os mais fétidos
e desagradáveis resíduos
detritos, lixos e pedras
do caminho
sorrindo,
talvez.
Silêncio.
Li noutra vez
que estudar a si
mesmo é estudar
o ser humano, e
estudar o ser
humano é estudar
a si mesmo.
Há um eu e há
um outro?
O que difere a
casa do coração-mente?
Auspícios se fazem
bons, quando
do pensamento correto
em silêncio
brotam,
feito botão da primeira
flor de ameixa.
Sem alarde, nem
selfie.
Silêncio.
*
Para as queridas monjas Shingetsu Coen Sensei e Waho Sensei.
Gasshô.