sexta-feira, 22 de abril de 2011

poemas redescobertos (de cadernos antigos, que me ajudaram muito hoje)

enquanto o corpo esfria
do sono morno, quente

a caneta destila sua
tinta enquanto
o João
no papel se amamenta

que belo início de dia,
em que um poema se fermenta.

(2009)

*

quando não tenho mais
o que fazer,
e sinto frio,
gosto de debruçar-me
em versos,
sentado em qualquer
canto,
quieto,
quem sabe ao lado de
um gato preto.

talvez seja esta
a única forma de ficar
realmente sozinho
mesmo no meio
de tantas pessoas
que passam.

certos ventos
que às vezes batem
em pele nua
chamam os olhos
do papel para
o mundo,
e fazem o
corpo querer
escrever na vida.

(2009)

*

A felicidade se faz
no ato de abrir-se
e de manter-se
aberto.

a abertura, espontânea,
permite o compartilhamento
sincero.

O compartilhamento,
sincero, ajuda a
produzir felicidade.

Felicidade
gera
felicidade.

(2009)

*

"Sentir é estar distraído"
Alberto Caeiro

"No dia em que emprestares uma libra à teu vizinho, sentindo que és o devedor e ele, o credor, nesse dia começará tua vida como homem."
Mikhail Naimy, filósofo libanês

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