Sede de querer
que água nenhuma
a mate.
Sede de cores
da memória.
Sede de ribeirões
das histórias.
Sede.
Basta estar vivo
[fato
mas estar vivo
não basta.
Abre-se mais
a boca,
tanto em resposta
quanto em questão,
e muito mais pode ser
engolido
e falado
e gritado
e cantado.
Dessas,
a única coisa
que me dá azia
é o senso que
[comum
reduz
erupção de vida,
peito que flama, clama,
sede que grita
à uma reles
inspiração de poetas.
Esse,
boca nenhuma
de poeta nenhum
engole.
(saudades de ocê negresco!)
quinta-feira, 26 de maio de 2011
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Canto de um povo de um lugar
"Todo dia o sol levanta
E a gente canta o sol de todo dia
Fim da tarde a terra cora
E a gente chora porque finda a tarde
Quando a noite a lua amansa
E a gente dança venerando a noite"
(canção de Caetano Veloso)
Hoje faz dez anos que minha mãe morreu. Ciça Tuccori.
4 de Maio.
Dez anos.
Eu, hoje, fico em silêncio. Acendo um incenso, uma vela. Como alguma coisa gostosa. Como um chocolate. Canto canções, escrevo poemas.
E hoje é como estou. Não sei se triste, pois inda faço piadas, sorrio, me mexo bastante.
O que é o luto? Como não deixar este dia passar em branco? Como olhar para a morte sem deixar de viver? Como encher a morte, a ausência, com vida?
Depois dez anos, descubro minha forma de estar em luto. E não há nada de dramático nisto.
Preencher a ausência com vida, celebrar a morte não pelo término, mas pelo durante, pelo como foi, pelo que ainda é.
Minha mãe costumava cantar esta música para mim quando eu era pequeno. Em varandas, em manhãs de sol, em fins de tarde, em noites frescas. Nunca esqueci. Hoje eu canto mais do que ninguém.
E olho para o céu, e choro ao fim da tarde, e danço a noite.
Gasshô.
Axé.
É nóis.
E a gente canta o sol de todo dia
Fim da tarde a terra cora
E a gente chora porque finda a tarde
Quando a noite a lua amansa
E a gente dança venerando a noite"
(canção de Caetano Veloso)
Hoje faz dez anos que minha mãe morreu. Ciça Tuccori.
4 de Maio.
Dez anos.
Eu, hoje, fico em silêncio. Acendo um incenso, uma vela. Como alguma coisa gostosa. Como um chocolate. Canto canções, escrevo poemas.
E hoje é como estou. Não sei se triste, pois inda faço piadas, sorrio, me mexo bastante.
O que é o luto? Como não deixar este dia passar em branco? Como olhar para a morte sem deixar de viver? Como encher a morte, a ausência, com vida?
Depois dez anos, descubro minha forma de estar em luto. E não há nada de dramático nisto.
Preencher a ausência com vida, celebrar a morte não pelo término, mas pelo durante, pelo como foi, pelo que ainda é.
Minha mãe costumava cantar esta música para mim quando eu era pequeno. Em varandas, em manhãs de sol, em fins de tarde, em noites frescas. Nunca esqueci. Hoje eu canto mais do que ninguém.
E olho para o céu, e choro ao fim da tarde, e danço a noite.
Gasshô.
Axé.
É nóis.
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