escrever
é criar
mundos possíveis
almas novas,
efêmeras
que nos habitam
enquanto
a tinta se
mover no papel.
escrever acontece.
quem lê
e sente,
percebe.
**
2
Por uma vez apenas
não me embriago.
É de tarde,
um vento bate
em minha barba seca
e o que o sol esquentou
agora esquenta
minha humilde bunda.
As pessoas que passam
por aqui
ou trabalham
ou vão trabalhar
ou já trabalharam.
E sobro eu.
Neste meio tempo
em que vivemos,
estou, sóbrio,
à escrever mais
um montinho de merda.
Pra limpar
no bigode
do mundo.
Que alguém sinta
o meu cheiro
Eu não mais
me aguento.
E por isso
comprei um
REXONA ABSOLUTE GINSENG.
Sempre gostei de coisas orientais.
GINSENG.
Vou atear fogo
em alguém
com essa merda.
Foda-se.
Não tenho combustível
mesmo.
Então torro alguém
e depois miro
pro chão
e viro um foguete.
No jornal futuro
sai uma notícia
sobre a Lua.
E um incêndio
ocorrido nela.
**
A vida é
e nunca vai deixar
de ser
uma caixa absurda
de coisas que pulam
e cantam
e catam
quem estiver à volta
e levam
pras lonjuras
mais oníricas
que a morte inda
não toca.
**
POEMA NU
Este poema parte
da ilusão.
Sei que não preciso
de roupas neste universo.
Mas sei o quanto preciso
de roupas neste mundo.
Recolhendo cacos
do que fui hoje à noite,
recolho icebergs
do que sou nesta vida.
Como derreter o gelo?
Tenho mil raivas
em meu pulmão,
que, cristalinas que são,
permitem-me ver
o que há além delas,
mas nunca tocar através.
Como ir além do meu sono?
Como ser além de meus socos?
Não é segredo algum
que tenho medo.
Tampouco que mal enxergo
minha letra,
meu caminho.
Mas há um segredo
que alivia meu sufoco.
Sei que consigo,
mesmo que por um átimo,
olhar no olho
e dizer com sinceridade
bom dia.
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