domingo, 18 de fevereiro de 2018

Lembro

Lembro



lembro – e acho tão difícil saber o que é lembrar e o que é imaginar – das tantas noites que adormeci em cima de você, num sono incontrolável e belo. a gente pelado e o sexo que era tão outra coisa, antes de dormir sem nem perceber. quando de repente acordava, estava ainda dentro de ti. seus braços que tão ternamente me acolhiam, e eu que delirava por estar ali também te acolhendo. a chuva que cai pesada lá fora, o escuro, o calor que emana da gente, o tesão de poder ser tudo sem ter que ser nada, e sermos. pelados, e tua nudez que me era tão outra coisa, que me vociferava e ao mesmo tempo enternecia. que tesão é esse que assola e reconforta a um só tempo? chuva pesada lá fora, delírio leve aqui dentro.
já te escrevi isso, já publiquei isso, já te enviei e reenviei isso: quando te ver acordar me faz descrer estar acordado, quando tua nudez me assola pelo resto do dia, pelo resto dos dias. e parece que nada adiantou, a não ser praquela época, praquela época. agora eu só imagino, continuo louco e terno como era quando você comigo. e sigo sem saber se o que eu sinto é saudade: de ontem ou de amanhã.



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