terça-feira, 20 de novembro de 2018

Poema de hoje - 20.11.28


sentir-se inevitavelmente só
apesar de tantos comigo
tantos em mim

sobrepeso de ideias
e palavras por onde
escoá-las
não encontro mais
facilmente

podia falar de tanta coisa
mas insisto
mesmo tema de sempre
ausência de poema
dificuldade de escrita
na adultez atual

já há anos que essa
atualidade me habita
e na realidade sigo escrevendo
até hoje
até agora
neste momento

a escrita muda tanto quanto
a gente

e seguimos, ela e eu
inevitavelmente
sós
um pro outro

maneira de ser sozinho
maneira de estar com todos
quando escrevo posso ser tudo
se escrevo, há todos
em mim e comigo

soltar o pensamento nos dedos
quer seja por lápis, caneta
ou por teclas
mas em movimento

soltar o pensamento
de mim

sair-se
de
si
no
ins
tan
te


para saber ser algo entre
mais e menos

por que escrever continua sendo ambos
dor  e remédio?

adentrar-se e
abster-se de si
num só tempo

criar outros
outras
coisas tantas além

movimento nuvem
sombra cheia e vazia
usando letras
escrever o que não cabe
na linguagem
como?
ventania e
silêncio

tons de cinza
branco e preto
hoje me são
mais do que eu

enquanto o corpo
febril
alucina
querendo algum tesão
sem nome

sem linguagem
comunicar-se
por entre aléns

deixar solto
o centro do corpo
emanando algo
invisível

poema que dói
porque nunca
termina
igual transar
sem gozar
mas não
infelizmente