quarta-feira, 4 de maio de 2011

Canto de um povo de um lugar

"Todo dia o sol levanta
E a gente canta o sol de todo dia

Fim da tarde a terra cora
E a gente chora porque finda a tarde

Quando a noite a lua amansa
E a gente dança venerando a noite"

(canção de Caetano Veloso)


Hoje faz dez anos que minha mãe morreu.  Ciça Tuccori.
4 de Maio.
Dez anos.
Eu, hoje, fico em silêncio. Acendo um incenso, uma vela. Como alguma coisa gostosa. Como um chocolate. Canto canções, escrevo poemas.
E hoje é como estou. Não sei se triste, pois inda faço piadas, sorrio, me mexo bastante.
O que é o luto? Como não deixar este dia passar em branco? Como olhar para a morte sem deixar de viver? Como encher a morte, a ausência, com vida?
Depois dez anos, descubro minha forma de estar em luto. E não há nada de dramático nisto.
Preencher a ausência com vida, celebrar a morte não pelo término, mas pelo durante, pelo como foi, pelo que ainda é.

Minha mãe costumava cantar esta música para mim quando eu era pequeno. Em varandas, em manhãs de sol, em fins de tarde, em noites frescas. Nunca esqueci. Hoje eu canto mais do que ninguém.
E olho para o céu, e choro ao fim da tarde, e danço a noite.

Gasshô.
Axé.
É nóis.

3 comentários:

  1. Mojubá meu velho! Belo texto.

    Creio que é bonito viver o luto como agradecimento, vivê-lo no presente e sentir toda força ancestral que nos compõe. Saudações e saudades! Axé. Bruno

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  2. demais, querido. mesmo mesmo.
    que bom te (re)encontrar por aqui, agora te sigo publicamente, ok? (sim, o cão segue seu blog, há)

    tenho saudades,
    analu.

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  3. ah, e essa música é linda e me abriu um sorriso quando o fran me lembrou dela ontem falando de você. eu costumava cantar com o meu tio quando era pequena.

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