Na verdade é precisamente aqui
que reside
um encanto barulhento,
meio fedido,
que não deixa dormir
mas que encanta.
Bate entre as paredes do meu quarto,
se choca com a lâmpada.
Querendo ser luz,
querendo ser gente,
é apenas poesia.
Voa como se dependesse
unicamente disso
para terminar o dia.
E com este terno encanto,
de poema relido
de amigo, de encontro,
posso eu, finalmente,
sem bater
em parede nenhuma,
lâmpada nenhuma,
ser mais gente
que nunca,
mais luz que nunca
e então apagar-me.
Boa noite.
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