quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Precisamente aqui (12/04/2011)

Na verdade é precisamente aqui
que reside
um encanto barulhento,
meio fedido,
que não deixa dormir

mas que encanta.

Bate entre as paredes do meu quarto,
se choca com a lâmpada.
Querendo ser luz,
querendo ser gente,
é apenas poesia.

Voa como se dependesse
unicamente disso
para terminar o dia.

E com este terno encanto,
de poema relido
de amigo, de encontro,
posso eu, finalmente,
sem bater
em parede nenhuma,
lâmpada nenhuma,
ser mais gente
que nunca,
mais luz que nunca

e então apagar-me.

Boa noite.

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