quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Sobre certezas e dúvidas (27/05/2011)

a lua nascendo por entre os fios dos teus cabelos
por entre os dedos da minha mão
passaram certezas e dúvidas

Sempre passam certezas e dúvidas. Basta estar vivo.
Certezas e dúvidas. Como dói. Por que me parece impossível decidir? (Quem disse que eu tenho que decidir alguma coisa?) Por que não pode existir paz entre a certeza e a dúvida? Basta estar vivo para morrer, e a vida é incerteza, é imprecisão, é fluxo espontâneo, irreverente, divergente e divertido. Então, só me resta pensar que o duro não é a dúvida, mas sim a certeza. E por que as certezas são assim tão duvidáveis, sofríveis?
Que lambança de dores e náuseas, passados remoentes na cuca, na pele, no ar. Possibilidades sempre me fascinam. Quanto mais imagino, mais quero ser, ousar, tocar. Movimento-me assim. Sempre me movimentei assim. Sempre sofri. Sofri também por me mover querendo ficar parado, por ficar parado querendo me mover. Certezas e dúvidas. Mas sempre me movi. Agora há pouco, comecei a tomar tento de que não precisava sofrer, de que há como não sofrer. Basta mover-se quando quiserdes mover-se, ficar parado quando quiserdes ficar parado. Mas insisto em povoar meu pensamento de certezas  e dúvidas, certezas e dúvidas. Para além, tanto além  do necessário. Sabendo disso, fico querendo compensar o tempo que fiquei parado, ou que me movi. Mas isso é passado. Passado, pesado. E sofro mais. Querer dar o troco a mim mesmo, lutar pelas barreiras que existiram e que agora podem ir ao chão. Contraditório, né? Sim. Quando vejo-me, luto-me para manter-me como sempre fui, sendo que o que mais quero é mudar. Mudar, sempre sempre, mudar. Ousar não ser o mesmo. Pois na verdade, nada se perde quando se experimenta. Não serei menos, serei mais. Mas de repente mudar dói tanto. Arrasto mundos, e se os arrasto, não mudo. Querendo mudar, não mudo. Talvez por esta ser uma certeza minha de hoje: mudar... não mudo. Se me duvidasse, talvez mudasse mais facilmente. A questão sempre move mais o corpo e a mente. Quer sinal mais móvel do que o ponto de interrogação? Mesmo agora, neste quarto, nesta casa, neste texto... insisito em discorrer sobre um tema do começo ao fim. Contraditório, né? Sim. Como se não bastasse, há o peso da responsabilidade que talvez tenhamos pelos sentimentos das pessoas que gostamos. Movemo-nos porque queremo-nos, e muito possivelmente, machucamos uns aos outros. Daonde vem este tipo de dor? Tanto a dor causada quanto a dor vitimada... E no entanto, a dor ensina tanto. O que é ser egoísta? Comecei a me fazer esta pergunta nos últimos tempos. Sempre achei que ser egoísta fosse não dar um pedaço do seu lanche pro amigo. Por anos, essa definição me bastou. Até o dia em que eu descobri o tanto de tempo que dedicava pensando o que os outros vão pensar do que eu vou fazer, se eles vão ver como eu sou legal, se todos vão gostar de mim. E, claro, perdia um bocado de tempo pensando: 'ah, acho que meu amigo num tá com fome'. Certezas e dúvidas. De repente, quando me comprometi comigo mesmo à encarar uma saga homérica de auto-desconstrução, vi que tudo o que fazia gerava mais confusão em minha cabeça e coração, mão, pé, cabelo, nariz, cotovelo, calcanhar; ou gerava dores alheias, e, portanto culpa. Eita sentimentozinho do caralho. Culpa. Lágrima corrida: culpa. Choro engolido: culpa. Promessa descumprida: culpa. Sou egoísta por fazer qualquer coisa que queria fazer, mesmo sabendo que vai machucar o outro? Não me refiro, obviamente, à querer dar um tiro na cabeça do amiguinho, ou um simples beliscão no braço. Na verdade, não sei bem ao que me refiro, apenas sei que há alguma sensação de aprisionamento que não consigo deixar de ter. Ouso também saber que simplesmente arrombar a porta não vai me fazer soltar dessa sensação. Mais uma vez, é como se arrastassse mundos. Passado, pesado. E contiuno escrevendo um texto que pouco me ajuda, apenas exprime uma nesga do que insisto em fermentar. Alguém aí me ajuda?

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