quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Sem atos (01/06/2011)

O homem se satisfaz sem atos
só sentimentos.
Para na vida ser mais do que eu
que tão pouco sou.
Minha carcaça se arrasta,
se coça, se despedaça
hoje sem mais delongas
num porvir frenético e sem medo,
sem zelos, sem zeros.
Hoje eu sou quem nunca fui
mas quem sou antes do que nunca
que sempre quis.
E sei que não sou sozinho.
Sou uma roda que gira e grita
no fim do mundo.
Meu mundo,
nenhuma rima
-tampouco solução.
Pagaram as luzes do tempo.
E eu cá estou, sem fôlego
mas escrevendo,
sem tinta
mas colorindo
a imensidão.
Meu quarto nunca
pareceu tão distante,
e o som de minhas teclas
batendo
uma sinfonia inteira só pra mim.
Eu que sei o quanto
isso é bom
e ruim.
Sou um segredo.
Eu tenho medo.
Devia ter chorado
enquanto todos me olhavam.
Devia ter gritado
quando todos mais choravam.
Mas não me arrependo.
Escrevo.
Enalteço um verso
que me diz mais do que quero ouvir.
Antes que o vinho acabe,
ainda sozinho,
sorrio antes de dormir.

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