quarta-feira, 2 de outubro de 2013

25 anos

Caralho, eu tenho 25 anos.
E já sei observar a vida como quem passa.
25 anos de minha mocidade, que ora eu me orgulho, ora me pergunto se já finda.
Caralho, eu tenho 25 anos.
Quando não tinha barbas na cara (hoje inda insisto em tê-las), quando precisava de alguém para me cortar as unhas dos pés, quando nem sabia o que era ser gordo ou magro, quando não sabia escrever, quando inda cagava nas calças (não que isso hoje não aconteça), quando então comecei a ter medo dos outros, me lembro de quando passei a desejar mais brinquedos, quando aprendi a ver filmes com legenda, quando chorava se via animais sofrendo, quando acordava cedo e saía correndo do quarto pra ver se minha mãe já tinha ido embora, quando ainda acreditava em tudo o que minha avó me dizia, quando passava as férias com meu pai, quando acampei a primeira vez, quando quis aprender a jogar bola e não consegui, quando tive minha primeira decepção amorosa, quando comecei a ter aulas de bateria, quando usava um boné de basquete virado pra trás, quando furei a orelha a primeira vez, quando comecei a andar de skate, quando fiz o bigode a primeira vez, quando fazia capoeira na escola, quando minha mãe ficou doente, quando eu dizia pra todo mundo que estava tudo bem, quando eu ouvia música até dormir, quando eu acordei e minha mãe não estava mais lá, quando minha avó brigou comigo porque eu quis ouvir música, quando eu fui morar com meu pai, quando eu quase bati em várias pessoas porque xingaram minha mãe, quando comecei a treinar artes marciais, quando comecei a ler sobre budismo, quando tomei meus primeiros porres, quando trancei o cabelo a primeira vez, quando dei meu primeiro beijo, quando comecei a curtir jazz, quando comecei a curtir Lenine, quando comprei um livro de poesia pela primeira vez, quando escrevi meus primeiros poemas, quando fiz parte da Roda Literária, quando conheci o maracatu, quando conheci o Hermann Hesse, quando sonhei em ser andarilho, quando fiz meu cajado, quando viajei as primeiras vezes só com os amigos, quando passei o primeiro reveyon só com os amigos, quando fiquei mais independente, quando comecei a fazer pulseiras, quando conheci a Monja Coen e comecei a frequentar um templo budista, quando me formei no colégio, quando entrei na PUC, quando eu sentia vergonha por ser virgem, quando perdi um grande amigo, quando bebia sozinho, quando saí da PUC, quando tive aulas de piano, quando voltei a ter aulas de bateria, quando comecei a treinar Aikido, quando dei a volta na Ilha Grande, quando perdi a virgindade, quando entrei pro cursinho, quando saí do cursinho (e tive uma das maiores brigas com meu pai), quando comecei a trabalhar, quando escolhi voltar pro cursinho, quando trabalhei na Livraria da Vila, quando meu pai foi pro navio, quando eu morei sozinho, quando eu escolhi sair da Livraria da Vila, quando trabalhei na Ânima, quando passei na Unesp, quando saí de São Paulo e fui pra Assis com meu amigo, quando conheci minha primeira namorada, quando comecei a tocar Taiko, quando comecei a estudar japonês, quando entrei na Oficina de Ritmos, quando morei sozinho de novo, quando conheci o Thiago de Mello, quando fui morar com minha namorada, quando vim pro Japão, quando fui a primeira vez num templo no Japão, quando comecei a ficar independente no Japão, quando fiz 25 anos.
Caralho, eu tenho 25 anos.

E já sei observar a vida como quem passa.

(Escrito em outubro de 2012)

2 comentários:

  1. Que lindo, Jony; quando alguém abre assim um pouco da vida a gente vê como todas as vidas passam, como somos tão diferentes e tão iguais.

    Vivi

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  2. Foda Jony, muito bonito. Que inspiração melhor do que a própria vida? Acho tão gozaddo pessoas que negam a influência da vida do escritor em sua escrita tem até escritores que fazem isso. Mas é impossível fugir .

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