sexta-feira, 7 de outubro de 2011

06 de Outubro de 2011

Nasce uma criança
em meu peito,
conforme me passam os anos,
conforme me consomem os dias.
Mas conforme me envolvo 
nas coisas que amo,
nasce uma criança
em meu peito.

Nasce uma criança em cada canto
de sorriso, de vento,
de dança,
nasce uma criança.

Eu, ainda bem 
que nem tão adulto,
posso dizer que
no dia em que nasceu,
nasci contigo.
Nascemos,
crescemos, 
fazemos amigos.

E por mais
que muitas velas 
de muitos bolos
se apaguem,
estaremos sempre aprendendo
a cantar mais,
a dançar mais,
a sorrir mais,
abraçar mais.

E chorar,
e cair,
e a ser abraçado.

Hoje nascem crianças
em meu peito,
que se chamam João,
que se chamam Pedro,
e Patuá.

E hoje nasce mais uma,
menina amiga,
Mariah.


sexta-feira, 23 de setembro de 2011

22/09/2011




JEREMY (Ament/Vedder)

At home
Drawing pictures
Of mountain tops
With him on top
Lemon yellow sun
Arms raised in a V
The dead lay in pools 
of maroon below


Daddy didn't give attention

To the fact that mommy didn't care
King Jeremy the wicked
Ruled his world

Jeremy spoke in class today
Jeremy spoke in class today

Clearly I remember
Pickin' on the boy
Seemed a harmless little fuck
Oh, but we unleashed a lion
Gnashed his teeth
And bit the recess lady's breast
How could I forget
He hit me with a surprise left
My jaw left hurtin
Oh, dropped wide open
Just like the day
Like the day I heard

Daddy didn't give affection
And the boy was something mommy wouldn't wear
King Jeremy the wicked
Ruled his world

Jeremy spoke in class today
Jeremy spoke in class today
Jeremy spoke in class today

Try to forget this... (try to forget this)
Try to erase this... (try to erase this)
From the blackboard

Jeremy spoke in class today
Jeremy spoke in class today




quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Sem atos (01/06/2011)

O homem se satisfaz sem atos
só sentimentos.
Para na vida ser mais do que eu
que tão pouco sou.
Minha carcaça se arrasta,
se coça, se despedaça
hoje sem mais delongas
num porvir frenético e sem medo,
sem zelos, sem zeros.
Hoje eu sou quem nunca fui
mas quem sou antes do que nunca
que sempre quis.
E sei que não sou sozinho.
Sou uma roda que gira e grita
no fim do mundo.
Meu mundo,
nenhuma rima
-tampouco solução.
Pagaram as luzes do tempo.
E eu cá estou, sem fôlego
mas escrevendo,
sem tinta
mas colorindo
a imensidão.
Meu quarto nunca
pareceu tão distante,
e o som de minhas teclas
batendo
uma sinfonia inteira só pra mim.
Eu que sei o quanto
isso é bom
e ruim.
Sou um segredo.
Eu tenho medo.
Devia ter chorado
enquanto todos me olhavam.
Devia ter gritado
quando todos mais choravam.
Mas não me arrependo.
Escrevo.
Enalteço um verso
que me diz mais do que quero ouvir.
Antes que o vinho acabe,
ainda sozinho,
sorrio antes de dormir.

Precisamente aqui (12/04/2011)

Na verdade é precisamente aqui
que reside
um encanto barulhento,
meio fedido,
que não deixa dormir

mas que encanta.

Bate entre as paredes do meu quarto,
se choca com a lâmpada.
Querendo ser luz,
querendo ser gente,
é apenas poesia.

Voa como se dependesse
unicamente disso
para terminar o dia.

E com este terno encanto,
de poema relido
de amigo, de encontro,
posso eu, finalmente,
sem bater
em parede nenhuma,
lâmpada nenhuma,
ser mais gente
que nunca,
mais luz que nunca

e então apagar-me.

Boa noite.

Sobre certezas e dúvidas (27/05/2011)

a lua nascendo por entre os fios dos teus cabelos
por entre os dedos da minha mão
passaram certezas e dúvidas

Sempre passam certezas e dúvidas. Basta estar vivo.
Certezas e dúvidas. Como dói. Por que me parece impossível decidir? (Quem disse que eu tenho que decidir alguma coisa?) Por que não pode existir paz entre a certeza e a dúvida? Basta estar vivo para morrer, e a vida é incerteza, é imprecisão, é fluxo espontâneo, irreverente, divergente e divertido. Então, só me resta pensar que o duro não é a dúvida, mas sim a certeza. E por que as certezas são assim tão duvidáveis, sofríveis?
Que lambança de dores e náuseas, passados remoentes na cuca, na pele, no ar. Possibilidades sempre me fascinam. Quanto mais imagino, mais quero ser, ousar, tocar. Movimento-me assim. Sempre me movimentei assim. Sempre sofri. Sofri também por me mover querendo ficar parado, por ficar parado querendo me mover. Certezas e dúvidas. Mas sempre me movi. Agora há pouco, comecei a tomar tento de que não precisava sofrer, de que há como não sofrer. Basta mover-se quando quiserdes mover-se, ficar parado quando quiserdes ficar parado. Mas insisto em povoar meu pensamento de certezas  e dúvidas, certezas e dúvidas. Para além, tanto além  do necessário. Sabendo disso, fico querendo compensar o tempo que fiquei parado, ou que me movi. Mas isso é passado. Passado, pesado. E sofro mais. Querer dar o troco a mim mesmo, lutar pelas barreiras que existiram e que agora podem ir ao chão. Contraditório, né? Sim. Quando vejo-me, luto-me para manter-me como sempre fui, sendo que o que mais quero é mudar. Mudar, sempre sempre, mudar. Ousar não ser o mesmo. Pois na verdade, nada se perde quando se experimenta. Não serei menos, serei mais. Mas de repente mudar dói tanto. Arrasto mundos, e se os arrasto, não mudo. Querendo mudar, não mudo. Talvez por esta ser uma certeza minha de hoje: mudar... não mudo. Se me duvidasse, talvez mudasse mais facilmente. A questão sempre move mais o corpo e a mente. Quer sinal mais móvel do que o ponto de interrogação? Mesmo agora, neste quarto, nesta casa, neste texto... insisito em discorrer sobre um tema do começo ao fim. Contraditório, né? Sim. Como se não bastasse, há o peso da responsabilidade que talvez tenhamos pelos sentimentos das pessoas que gostamos. Movemo-nos porque queremo-nos, e muito possivelmente, machucamos uns aos outros. Daonde vem este tipo de dor? Tanto a dor causada quanto a dor vitimada... E no entanto, a dor ensina tanto. O que é ser egoísta? Comecei a me fazer esta pergunta nos últimos tempos. Sempre achei que ser egoísta fosse não dar um pedaço do seu lanche pro amigo. Por anos, essa definição me bastou. Até o dia em que eu descobri o tanto de tempo que dedicava pensando o que os outros vão pensar do que eu vou fazer, se eles vão ver como eu sou legal, se todos vão gostar de mim. E, claro, perdia um bocado de tempo pensando: 'ah, acho que meu amigo num tá com fome'. Certezas e dúvidas. De repente, quando me comprometi comigo mesmo à encarar uma saga homérica de auto-desconstrução, vi que tudo o que fazia gerava mais confusão em minha cabeça e coração, mão, pé, cabelo, nariz, cotovelo, calcanhar; ou gerava dores alheias, e, portanto culpa. Eita sentimentozinho do caralho. Culpa. Lágrima corrida: culpa. Choro engolido: culpa. Promessa descumprida: culpa. Sou egoísta por fazer qualquer coisa que queria fazer, mesmo sabendo que vai machucar o outro? Não me refiro, obviamente, à querer dar um tiro na cabeça do amiguinho, ou um simples beliscão no braço. Na verdade, não sei bem ao que me refiro, apenas sei que há alguma sensação de aprisionamento que não consigo deixar de ter. Ouso também saber que simplesmente arrombar a porta não vai me fazer soltar dessa sensação. Mais uma vez, é como se arrastassse mundos. Passado, pesado. E contiuno escrevendo um texto que pouco me ajuda, apenas exprime uma nesga do que insisto em fermentar. Alguém aí me ajuda?

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Hoje está sem título

Escolho um caminho mais duro, talvez.
Mas escolho um caminho por onde
posso ser alguém de verdade.
Enquanto ando, me reconfiguro.
Me reinvento tanto à cada passo.
Não falo de escolhas que não fiz,
sem dizer que não são minhas.
Não falo de livros que não li,
se for olhar no olho do outro
e falar o que li.
Não sorrio mais à toa.
Mas quem sabe, um dia,
possa estar sorrindo sempre.

Cálice

(Homenagem do músico paulistano Criolo)



*


Que coisa doida poder se entregar
À outra pessoa sem nenhum receio
Como se fosse a morte ou o fim do mundo
Como um poeta entregue ao devaneio

Chorar pra mim é coisa tão difícil
Difícil expor minha fragilidade
Enquanto faço pose de invencível
Me torno um homem sem integridade

Pai,
Afasta de mim esse medo,
Pai,
Afasta de mim a vergonha,
Pai,
Afasta de mim essa idéia

Que eu devo aguentar tudo.



(10/06/2011)

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Continuação

Sede de querer
que água nenhuma
a mate.
Sede de cores
da memória.
Sede de ribeirões
das histórias.
Sede.
Basta estar vivo
            [fato
mas estar vivo
não basta.
Abre-se mais
a boca,
tanto em resposta
quanto em questão,
e muito mais pode ser
engolido
e falado
e gritado
e cantado.
Dessas,
a única coisa
que me dá azia
é o senso que
          [comum
reduz
erupção de vida,
peito que flama, clama,
sede que grita
à uma reles
inspiração de poetas.
Esse,
boca nenhuma
de poeta nenhum
engole.

(saudades de ocê negresco!)

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Canto de um povo de um lugar

"Todo dia o sol levanta
E a gente canta o sol de todo dia

Fim da tarde a terra cora
E a gente chora porque finda a tarde

Quando a noite a lua amansa
E a gente dança venerando a noite"

(canção de Caetano Veloso)


Hoje faz dez anos que minha mãe morreu.  Ciça Tuccori.
4 de Maio.
Dez anos.
Eu, hoje, fico em silêncio. Acendo um incenso, uma vela. Como alguma coisa gostosa. Como um chocolate. Canto canções, escrevo poemas.
E hoje é como estou. Não sei se triste, pois inda faço piadas, sorrio, me mexo bastante.
O que é o luto? Como não deixar este dia passar em branco? Como olhar para a morte sem deixar de viver? Como encher a morte, a ausência, com vida?
Depois dez anos, descubro minha forma de estar em luto. E não há nada de dramático nisto.
Preencher a ausência com vida, celebrar a morte não pelo término, mas pelo durante, pelo como foi, pelo que ainda é.

Minha mãe costumava cantar esta música para mim quando eu era pequeno. Em varandas, em manhãs de sol, em fins de tarde, em noites frescas. Nunca esqueci. Hoje eu canto mais do que ninguém.
E olho para o céu, e choro ao fim da tarde, e danço a noite.

Gasshô.
Axé.
É nóis.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Ser mais na vida

Minha casa está suja
mas minha louça está limpa
Eu vou chegar em casa
e vou tomar aquela caracu.
Está um frio danado lá fora.
Tomar banho vai ser foda.
Ma eu vou.
E vou escrever.
E vou ser mais do que sou,
que tão pouco ando sendo,
que tanto quero ser.
Criar-se na vida
não é tarefa fácil
quando se tem que
pagar as contas,
limpar a casa,
ir bem nas provas,
cuidar da namorada,
fazer a barba.
Esta última, pelo menos
eu deixo em branco.
Uma preocupação
a menos que me dou.

Ser mais na vida,
olhar pro outro,
sorrir,
ajudar,
ser ajudado.
Não se importar
com o que outros pensam.
Fazer sem pensar
em terminar.
Nunca tarefa fácil,
mas saborosa,
se não esquecermos
de olhar
para as estrelas.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

poemas redescobertos (de cadernos antigos, que me ajudaram muito hoje)

enquanto o corpo esfria
do sono morno, quente

a caneta destila sua
tinta enquanto
o João
no papel se amamenta

que belo início de dia,
em que um poema se fermenta.

(2009)

*

quando não tenho mais
o que fazer,
e sinto frio,
gosto de debruçar-me
em versos,
sentado em qualquer
canto,
quieto,
quem sabe ao lado de
um gato preto.

talvez seja esta
a única forma de ficar
realmente sozinho
mesmo no meio
de tantas pessoas
que passam.

certos ventos
que às vezes batem
em pele nua
chamam os olhos
do papel para
o mundo,
e fazem o
corpo querer
escrever na vida.

(2009)

*

A felicidade se faz
no ato de abrir-se
e de manter-se
aberto.

a abertura, espontânea,
permite o compartilhamento
sincero.

O compartilhamento,
sincero, ajuda a
produzir felicidade.

Felicidade
gera
felicidade.

(2009)

*

"Sentir é estar distraído"
Alberto Caeiro

"No dia em que emprestares uma libra à teu vizinho, sentindo que és o devedor e ele, o credor, nesse dia começará tua vida como homem."
Mikhail Naimy, filósofo libanês

segunda-feira, 7 de março de 2011














salvar-me agora

corte
o que te mantém
preso, imóvel.

o que te mantém como está,
corte.

não pense
que não dói.

não pense,
corte.
sem anestesia.

corte.

não se arrependa,
tudo vale
para sentir o sol
novamente.

corte.

sentir a água
sentir o vento
sentir o cheiro
longe daqui.

corte.

para continuar andando
para continuar cantando.
não desmaie.
não desmaie.

não se perca.

corte.


(escrito depois do filme "127 horas")

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

para as memórias de quem nada

penso:
sê um ser
com a arrebentação.
de nada adianta
sacudir o timão
pra lá
pra cá
degladiar-se
com água
pra todo lado.

sê um ser
com a arrebatação
que a vida,
em ondas,
traz à nossos corpos
sem prévio aviso.

quem se opõe
arrasta mundos,
e esse é um peso
indiscutível.

sê um ser.
pois mesmo
sem remos,
molhado
há um sorriso.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

A manhã
é domingo.
Um domingo
só pra mim.
Espero não
enchê-lo de
idéias.
Mas escrever
este poema
já é
injetar-lhe
uma idéia.
Então silêncio.
Nada que possa
escrever
falar
ou dizer
vale mais
do que um
gesto toque
olhar
som sorriso
feitos sem
expectativa.
Então silêncio.
E sigo meu
domingo
sem nenhuma
explicação.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Poemas de auto-firmação

1.
Sinto minhas pernas
mais fortes
para andar.

Não tenho pressa.

Tenho a necessidade
de me auto-firmar.

Antes de pular,
antes de correr,
antes de voar,

Sinto a urgência
de me auto-firmar.

2.
Agora carrego
as coisas certas na mala.

Apesar de curtir
a idéia de uma mala vazia,

não sou tonto,
levo só o que sei
que vou precisar.

3.
Mais do que antes,
agora sei
que ilha é ilha,
mar é mar,
e continete
sempre será
contingência.

4.
Quando é pra ser terra,
é pra ser terra.
Quando é pra ser fogo,
é pra ser fogo.

De nada adianta
me mover
querendo ficar parado.

Só sofro
se me paro
querendo me mover.

5.
Não há que se
levar nada
além de nós mesmos.
Ainda que para as
lonjuras mais distantes.
Para quê
tanta bagagem?
Se vou cruzar
o mar,
não levo terras
no meu bolso.
Levo braços,
pernas,
remos.
E um belo sorriso
no rosto.

6.
Para quê tantas palavras?
Sim,
para a poesia.
Apenas.
Pois mais vale à mim
um gesto,
brilho de estrelas
dentro de caverna.
Silêncio
que emana do chão,
da pele,
da ponta do lápis.
Para quê tantas palavras?
Para nada
além de um poema
de nascer do sol.